CARRAPATOS


Os carrapatos são parasitas externos (ectoparasitas) de animais domésticos, silvestres e do homem. Atualmente, são conhecidas cerca de 800 espécies de carrapatos em todo o mundo parasitando mamíferos, aves, répteis ou anfíbios. São considerados como de grande importância pelo papel que desempenham como vetores de microrganismos patogênicos incluindo bactérias, protozoários, rickétsias, vírus, etc; e pelos danos diretos ou indiretos causados em decorrência do seu parasitismo.

Os carrapatos estão classificados em duas famílias: Ixodidae e Argasidae. Os ixodideos, freqüentemente denominados "carrapatos duros", apresentam um escudo rígido, quitinoso, que cobre toda a face dorsal do macho adulto. Na larva, ninfa e fêmea adulta, estende-se apenas em uma pequena área, permitindo a dilatação do abdome após a alimentação. Todos os estágios fixam-se em seus hospedeiros por um tempo relativamente longo para alimentar-se. Neste grupo estão incluídos a maioria dos carrapatos de interesse médico-veterinário.


Os argasídeos, também conhecidos como "carrapatos moles", recebem esta denominação porque não possuem escudo. Nesta família estão os carrapatos de aves e os "carrapatos de cão".

                   • Biologia dos "Carrapatos Duros"

                                    Família Ixodidae

A maioria das espécies deste grupo de carrapatos é silvestre e habita florestas e pastagens, parasitando várias espécies de animais hospedeiros. Poucas espécies são encontradas em ambientes restritos, como ninhos e tocas de seus hospedeiros.

O desenvolvimento se completa em duas fases: uma parasitária que ocorre sobre o hospedeiro e outra de vida livre, no solo, após abandonar seu hospedeiro.

A fase parasitária compreende menos de 10% da vida do carrapato e é adaptada para alimentação sangüínea no hospedeiro. São necessários um ou mais hospedeiros para completar seu ciclo de vida que consiste em três fases: larva, ninfa e adulto (estágios móveis e hematófagos).

Após o acasalamento, as fêmeas ingurgitam, desprendem-se do hospedeiro, e procuram locais abrigados no solo dando início à fase de vida livre do ciclo biológico. O tempo de duração deste período, dentro de cada espécie, depende da temperatura, podendo se alongar quando essas tornam-se baixas. A quantidade de ovos postos por fêmea, dentro de cada grupo de carrapato, está relacionada com o seu respectivo peso.

As larvas ao saírem do ovo já possuem um aspecto semelhante ao do carrapato adulto. Apresentam três pares de pernas e são sexualmente imaturas. As larvas permanecem inativas na vegetação do solo por vários dias enquanto sua cutícula endurece e então quando estão aptas a infestar os animais, iniciam o processo de subida e descida em direção ao ápice das plantas ao redor do local onde nasceram. As larvas podem detectar odor, calor, CO2 e vibração do ar devido ao movimento dos animais hospedeiros. Na vegetação, ficam agrupadas evitando, desse modo, a perda de umidade e protegendo-se da incidência direta dos raios solares, aguardando a passagem dos hospedeiros, geralmente pequenos mamíferos e aves que habitam no solo. Após uma muda, dão origem as ninfas as quais apresentam quatro pares de pernas. Estas também são imaturas sexualmente. Após a última muda, originam-se os adultos, machos ou fêmeas. As fêmeas só se engurgitam completamente após o acasalamento. Os machos permanecem no hospedeiro por várias semanas ou meses, algumas vezes acasalando-se com várias fêmeas. Exceto para Ixodes, a cópula  dos  ixodídeos ocorre sempre no hospedeiro.

O encontro dos ixodideos com os hospedeiros no campo é feita ao acaso. Ao contrário dos insetos, os carrapatos dispersam-se muito pouco percorrendo distâncias muito curtas. Apesar de poderem detectar a proximidade do hospedeiro na vegetação, é necessário que haja contato físico com o mesmo para que eles sejam transferidos e iniciem a fase parasitária. Muitos morrem antes mesmo de encontrar seus hospedeiros, estando sujeitos a predação e a condições climáticas adversas. Para compensar a restrição imposta à fase de vida livre do seu ciclo biológico, as fêmeas depositam no ambiente milhares de ovos, dos quais, em geral, eclodem a grande maioria das larvas. As larvas, por sua vez, também são muito resistentes e são capazes de passar longos períodos em jejum, até encontrar condições favoráveis ao parasitismo.

O desenvolvimento destes carrapatos pode ocorrer em um, dois ou três hospedeiros dependendo do número de animais parasitados durante seu ciclo evolutivo.

No primeiro caso, larvas, ninfas e adultos passam toda a vida parasitária sobre um só animal; no segundo caso, larvas e ninfas alimentam-se em um animal, as ninfas caem no solo, sofrem uma muda e os adultos buscam um novo hospedeiro; no terceiro caso, a cada mudança de estádio, o carrapato abandona o hospedeiro, realiza a muda no ambiente, e volta a se fixar no hospedeiro.

À semelhança das larvas, nos carrapatos onde o ciclo se desenvolve em mais de um hospedeiro, as fases presentes no meio ambiente também são muito resistentes e capazes de suportar grandes períodos de inanição.

O tempo necessário para que o carrapato complete o seu ciclo biológico depende do tipo de ciclo e das condições climáticas, podendo variar de alguns meses, em países tropicais,  até anos,até anos, em países de clima frio.

 

Ciclo de um hospedeiro (carrapatos monoxenos)

Representado pelo carrapato dos bovinos – Boophilus microplus e pelo carrapato tropical do cavalo, Anocentor nitens. Todos os estágios parasitam grandes animais tais como bovinos, veados e cavalos. O encontro do hospedeiro se dá ao acaso e todo o desenvolvimento da fase parasitária do carrapato ocorre no mesmo indivíduo.

As fêmeas, após serem fecundadas, ingurgitam e caem no solo ,onde depositam ovos. Os machos permanecem no corpo do hospedeiro, por um período maior de tempo, onde acasalam-se com outras fêmeas. Nos climas tropicais úmidos o ciclo se completa sem interrupção porém mostrando uma sazonalidade distinta dos estádios.

O Boophilus microplus, com seu ciclo biológico curto, completa duas a três gerações por anoem regiões onde a temperatura é mais amena (sul do país) e ao redor de cinco em locais mais quentes (sudeste).

 

Ciclo de dois hospedeiros

Este ciclo ocorre em algumas espécies de Hyalomma e Rhipicephalus encontradas em estepes ou savanas onde ocorre uma longa estação seca e pouca chuva. A larva alimentada não cai no solo, ficando presa no hospedeiro. Após a muda, as ninfas escapam da exuvia larval e movem-se a uma curta distância antes de fixar-se ao mesmo animal. As ninfas engurgitadas caem no solo, realizam a muda para o estágio adulto, e procura um segundo hospedeiro, geralmente maior, para alimentar-se. As fêmeas alimentadas caem no solo e ovipositam antes demorrer.

Ciclo de três hospedeiros (carrapatos trioxenos)

É o tipo que o corre com mais freqüência entre os ixodideos. Cerca de 600 a 650 espécies deste grupo apresentam este tipo de ciclo biológico. Para completar o seu desenvolvimento, são necessários três diferentes hospedeiros, da mesma espécie ou não, ou o mesmo indivíduo três vezes, se ele permanece nas proximidades da larva, ninfa ou adulto. Os ciclos biológicos são longos podendo variar de 1 a 3 anos.

 

• Biologia dos "Carrapatos Moles"

                                   Família Argasidae

Este gênero é mais abundante nas regiões áridas que apresentam longas estações secas. A maioria das espécies está associada às aves. Em geral, os habitats dos argasídeos estão intimamente associados àqueles relacionados ao homem e animais domésticos: pocilgas, galinheiros, pombais, ou cabanas rústicas, Os argasídeos que vivem em um habitat relativamente estável, podem alimentar-se no mesmo animal várias vezes ou em vários animais (da mesma espécie ou não) durante seu ciclo de vida e se reproduzem continuamente ao longo do ano.

Os adultos acasalam-se fora do hospedeiro e a fêmea realiza postura após cada repasto sanguíneo.

O ciclo de vida compreende ovo, larva, ninfas (vários estágios) e adultos. A maioria das espécies, ninfas e adultos alimenta-se muito rapidamente (cerca de 30 a 40 minutos), enquanto as larvas fixam-se em seus hospedeiros por aproximadamente 7 a 10 dias. Antes de cada muda ocorre um repasto sangüíneo, salvo raras exceções em que pode ocorrer duas refeições em ninfas antes da ecdise.

 

• Carrapato do Cavalo "Carrapato Estrela"

Amblyomma cajennense (Fabricius, 1787)


O hospedeiro preferido da fase adulta é o cavalo e o boi, podendo parasitar também outros animais domésticos e silvestres. Esta espécie comumente ataca o homem em enormes quantidades nas estações secas e frias, em qualquer fase de sua evolução. No Brasil as formas adultas recebem ainda as denominações de "rodoleiro" em muitas regiões do país, "picaço", no sul de Minas Gerais e "carrapato rodolego", em Sergipe. As larvas ou as ninfas desses carrapatos são denominadas popularmente de "micuim", "carrapato pólvora", "carrapato-fogo", "carrapato meio-chumbo" e "carrapatinho". Sobem em grande número nas gramíneas, em certas épocas do ano, atacando o homem, produzindo intenso prurido e uma lesão granulomatosa, especialmente ao redor da cintura e pernas, que pode levar vários meses para cicatrizar.


É o vetor da Babesiose eqüina no Brasil e da Febre Maculosa no homem, na América Central, Colômbia e Brasil, causada pelo Rickettsia rickettsi, uma zoonose que circula entre carrapatos e hospedeiros vertebrados.

O carrapato Amblyomma cajennense necessita de três hospedeiros de espécies iguais ou diferentes para completar seu ciclo de vida, que pode variar de um a três anos, dependendo das condições climáticas.

No Brasil, as infestações por larvas ou mucuins são observadas particularmente a partir dos meses de março-abril até meados de julho quando se inicia o período ninfal. As larvas podem permanecer no ambiente até 6 meses sem se alimentar.

Após a fixação das larvas no hospedeiro, estas iniciam o repasto (linfa e/ou sangue e tecidos digeridos) durando esta fase de parasitismo aproximadamente cinco dias. Após este período, as larvas desprendem-se do hospedeiro, caem no chão e buscam abrigo no solo, para realizar uma muda para o estágio ninfal, que ocorre em um período médio de 25 dias.
A ninfa ("vermelhinho") pode aguardar em jejum pelo hospedeiro por um período estimado de até um ano. Seu período máximo de atividade é observado durante os meses de julho a outubro podendo também ocorrer durante o ano todo dependendo das condições ambientais do local onde está ocorrendo. Encontrando o segundo hospedeiro, a ninfa se fixa e inicia um período de alimentação de aproximadamente 5 a 7 dias quando, completamente ingurgitada, se solta do hospedeiro, cai no chão e realiza a segunda muda. Após um período de aproximadamente 25 dias emergem um macho ou uma fêmea jovem que, em 7 dias, encontra-se apta a realizar seu terceiro estádio parasitário. Neste ambiente, pode permanecer sem se alimentar, por um período de até 24 meses, aguardando o hospedeiro. Quando isto acontece, machos e fêmeas fixam-se, fazem um repasto tissular e sanguíneo, acasalam-se e a fêmea fertilizada inicia um processo de ingurgitamento que finda num prazo aproximado de 10 dias. Após este período, a fêmea se solta da pele e cai no solo onde inicia uma nova geração. Esta fase, observada durante os meses de outubro a março no sudeste brasileiro, completa o ciclo biológico da espécie e indica a ocorrência de uma geração anual da espécie.

• Carrapato da Orelha dos Eqüinos

Anocentor nitens (Neumann, 1897)

Carrapato de um-hospedeiro, primariamente parasita de cavalos, asnos e mulas, também registrado em bovinos, ovelhas, cabras, onça pintada, cervídeos e cão. O local preferido de infestação, é a orelha e divertículo nasal, podendo, em fortes infestações, ser encontrado em qualquer parte do corpo. Infestações na orelha com supurações, predispõe o animal ao parasitismo por miíases.

A.nitens é um dos principais vetores da Babesia caballi e agentes da babesiose eqüina.

 • Carrapato do Cão

Rhipicephalus sanguineus ( Latreille, 1806). "Carrapato vermelho do cão".


Espécie de grande importância veterinária. Esse é um carrapato típico de três hospedeiros (larvas, ninfas e adultos vivendo em hospedeiros separados), comumente encontrado parasitando o cão e outros mamíferos e aves. Não foram encontradas evidências. de que esta espécie possa parasitar o homem, limitando-se, o seu parasitismo, aos cães e aos gatos. Os adultos, preferem instalar-se na pele, entre o coxim plantar e as orelhas do cão. Seu ataque, causa grande irritação e desconforto nos animais, com perdas de sangue. Os adultos, têm uma forte tendência para escalar muros e cercas, freqüentemente abrigando-se em frestas e forro dos canis, em grande número, debaixo de móveis e outro locais. Eles desprendem-se dos cães, em qualquer fase de desenvolvimento, espalhando-se pelas habitações, encontrados às vezes em grandes números, sendo de difícil controle. É o vetor da babesiose (Babesia canis) e erlichiose (Erlichia canis) canina


 • Carrapato de Bovinos

Boophilus microplus (Canestrini, 1887). "Carrapato sul-americano do boi"

Espécie muito abundante, parasitando predominantemente os bovinos, podendo infestar também búfalos, cervos, camelos, cavalos, ovelhas, burros, cabras, gatos, veados campeiros, capivaras, coelhos, preguiças, cães e porcos.

Apesar de ser encontrado com freqüência e em altas infestações em determinados locais, excepcionalmente ataca o homem.

O carrapato do bovino é um ectoparasita de enorme importância na pecuária nacional, em virtude das perdas econômicas que causa aos produtores. É o transmissor da Tristeza Parasitária Bovina (TPB) causada pelos protozoários Babesia bigemina e B. bovis (babesiose) e Anaplasma marginale (anaplasmose).

Infestações pesadas, podem acarretar a morte de bezerros e mesmo de animais adultos.



                               
• Carrapato de Galinha

                             Argas miniatus Koch, 1844

 

É a espécie brasileira de carrapato de aves. Além de parasitando galinhas, sendo também encontrada em pombos, patos e pássaros silvestres. O Argas tem hábitos noturnos. Vive nas frestas e buracos dos galinheiros e nos troncos de árvores, saindo à noite para sugar os hospedeiros, voltando aos esconderijos assim que ingurgitados. A cópula ocorre fora do hospedeiro, e a fêmea pode realizar várias posturas sem nova cópula, mas antes, cada postura é precedida de nova sucção. Este carrapato é o vetor da Borrelia anserina e Aegyptanella pullorum entre as aves. Infestações pesadas podem matar as aves por exanguinação. Podem atacar o homem e sua picada causa intensa dor.

            • Carrapatos: Importância Médico-Veterinária

Os carrapatos, são primariamente ectoparasitas de animais silvestres e a maioria dos vertebrados terrestres estão sujeitos ao seu ataque. Das espécies descritas de carrapatos apenas 10%, são consideradas de importância médica e veterinária e estão envolvidas na epidemiologia de doenças entre humanos e animais. Os danos causados aos animais são determinados pela perda de sangue e transmissão de doenças; para o homem, os carrapatos são importantes pelo incômodo, dermatites e lesões decorrentes das picadas, mas principalmente por serem vetores de patógenos.

Na natureza, os patógenos são mantidos em animais silvestres e por seus ectoparasitas. Nestes locais, o patógeno, o hospedeiro vertebrado e o carrapato vetor, podem ter alcançado um relação equilibrada, na qual o homem não toma parte. Mudanças ecológicas, como derrubada de matas, loteamentos em locais florestados, cultivos, etc, com a intrusão do homem nessas áreas, propiciam o contato do carrapato com seus hospedeiros de eleição assim como com outros em potencial.

Outro fator que vem afetando a epidemiologia das doenças veiculadas por carrapatos, tem sido as mudanças ocorridas no comportamento humano. Atividades de laser na natureza tais como acampamentos, caminhadas nas florestas, têm conduzido populações, a um contato maior com focos de infecção.

 

• Carrapatos: Doenças Causadas

·        Dermatoses, inflamação, prurido, edema e ulceração no local da picada;

·        Perda de sangue, condição séria com desenvolvimento de anemia nos animais fortemente infestados;

·        Otocaríase, infestação do canal auditivo pelos carrapatos, com possíveis infecções secundárias;

·        Toxemia e Paralisias, causadas pela inoculação de saliva tóxica nos vertebrados;

·        Infecções transmitidas por carrapatos, incluindo babesioses, riquetsioses, borrelioses, bacterioses, viroses, etc.

• Carrapatos: Doenças Transmitidas ao Homem

Febre Maculosa



Também conhecida como Febre das Montanhas Rochosas, Febre do carrapato. É causada pela Rickettsia rickettsii e pode ser encontrada nas três Américas, do Canadá até a América do Sul. O reservatório primário de R.. rickettsii são pequenos roedores silvestres sendo o homem um hospedeiro acidental.

O papel dos carrapatos na infecção é importantíssimo pois eles atuam na natureza como vetores biológicos e principalmente como reservatórios, uma vez que a transmissão do patógeno pode ser perpetuada através de sua progênie (transmissão transovariana) A porcentagem de carrapatos infectados na natureza é baixa. O homem contrai a infecção ao penetrar em áreas infestadas por carrapatos, ou por meio de cães, que os levam para os domicílios em áreas urbanas. Nos Estados Unidos a doença é veiculada por ixodídeos do gênero Dermacentor. Na região neotropical, o principal vetor é o Amblyomma cajenense. No Brasil, essa enfermidade, conhecida como "febre maculosa", foi registrada em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A doença pode ser aguda, com o desenvolvimento de exantema e febre ou com sintomas brandos podendo ser confundida com um estado gripal (febre e dor de cabeça) O diagnóstico é feito pela anamnese, história de picada de carrapatos e testes sorológicos.


Doença De Lyme


Causada pela Borrelia burgdorferi latu sensu, é a mais importante doença transmitida por carrapatos nos Estados Unidos, sendo os principais vetores os carrapatos do gênero Ixodes. Também ocorre em cães, gatos, equídeos, bovinos e em grande número de espécies de animais silvestres e aves. No Brasil já existe constatação de caso de Doença de Lyme "like". Embora o isolamento do agente etiológico não tenha sido possível, casos clínicos com confirmação sorológica já foram identificados no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Manaus.


É uma doença de evolução complexa, podendo envolver alterações dermatológicas, neurológicas, cardíacas e articulares. Os sintomas podem ser divididos em três estágios:

·        Desenvolvimento de eritema ou pápula no local da picada pelo artrópode (70% pessoas infectadas). Outros sintomas podem ou não ocorrer: febre, dor muscular, dor de cabeça;

·        Alterações neurológicas e cardíacas (semanas ou meses após a primeira fase) – meningite, neuropatias e miocardite;

·        Aparecimento de artrites.

                     • Carrapatos: Métodos de Prevenção


Dependem do tipo da fase do carrapato e do local onde se encontram estes ectoparasitas. A higiene e o monitoramento dos locais onde os carrapatos podem ser encontrados é sempre importante.


Manter o gramado ou mato aparado próximo aos locais de criação dos animais e áreas de circulação do homem expõe os ínstares que estão presentes no ambiente a condições adversas levando estas fases à morte principalmente por desidratação, além de impedir que roedores que servem como hospedeiros intermediários escondam-se ali.


Em áreas infestadas por carrapatos, como gramado ou pastos, evitar sentar no solo e expor partes do corpo desprotegidas à vegetação. Ao entrar nestes locais, utilizar roupas claras que facilitam a visualização dos ectoparasitas.

• Carrapatos: Métodos de Controle


No mercado existem muitos produtos de uso veterinário, de diferentes grupos químicos, para o combate destes ectoparasitas. A implementação de estratégias de controle dos carrapatos são inerentes a espécie e a região onde se encontram. Medidas de controle dependem de fatores biológicos e epidemiológicos e devem ser estabelecidas por profissional especializado.

• Carrapatos: Curiosidades

As fêmeas dos carrapatos "duros" copulam e ovipõem apenas uma vez. A massa de ovos desovada depende da espécie de carrapato e do peso da fêmea, como foi citado no item Biologia. Em média, a quantidade de ovos desovados pelas fêmeas dos carrapatos citados, gira em torno de:

 

   Boophilus microplus

   2000 a 3000

   Amblyomma cajennense

   Cerca de 5000

   Rhipicephalus sanguineus

   Cerca de 3000

   Anocentor nitins

   Cerca de 3500

 

As fêmeas do Argas miniatus (carrapato mole) podem realizar várias posturas sem nova nova cópula. Após o acasalamento, a fêmea realiza de 8 a 10 posturas, num total de 700 ovos por fêmea, intercaladas com repastos sanguíneos.